GRUPO ESPECIAL, GRUPOS DE ACESSO E BLOCOS DA CAPITAL FLUMINENSE

Vira o jogo Viradouro

A Viradouro começou na última quinta-feira a arquitetar sua volta ao Grupo Especial. O dia festivo que tomou conta de Niterói por conta das homenagens a São João, seu padroeiro, invadiram a quadra da escola no Barreto. Além das comemorações pela passagem do seu 64º aniversário a escola celebrou o início de uma nova fase em sua história, com a posse do novo presidente: Gusttavo Clarão e do vice Rildo Seixas(foto). Compositor campeoníssimo de sambas enredo, Clarão terá agora a missão de reerguer a escola, recém rebaixada ao grupo de acesso.

O clima festivo que tomou conta da quadra, deu uma pausa para a emoção quando a ex-primeira dama da Viradouro, Talita Monassa(foto) relembrou os grandes momentos da escola, época em que a escola era comandada por seu marido, José Carlos Monassa. Emocionado, o presidente Gustavo, em seu discurso prometeu levar a escola de volta ao grupo especial, lembrando a letra do samba que compôs para o carnaval de 2007 da escola: “Esse jogo vai virar!”.

Para ajudá-lo neste processo, Gusttavo contará como uma equipe vitoriosa. Alguns nomes foram apresentados durante o evento. O Carnavalesco Jack Vasconcelos, responsável em levar a União de Ilha do Governador de volta ao grupo especial, o coreografo da comissão de frente Fábio de Mello(foto), vencedor de seis estandartes de ouro e Mestre Pablo, que comandará a bateria. A porta bandeira Ana Paula, que em 2011 dançará com o mestre sala Robson Sensação, declarou amor à escola e disse que a queda da Viradouro para o grupo de acesso, não a abalou e que o próximo carnaval será de muita alegria.



No final do evento Gusttavo e a Velha Guarda cantaram o “parabéns pra você”, acompanhados por todos os presentes.

Lins 2011: Chico Mendes, o arauto da natureza

“Eu sou a única esperança
Que todos querem se apossar
Oh! Virgem mata comandando o ar,
Tua matança nos matará”.
(Leila e Edu)

Amazônia de um verde encantador...
Terra tão rica, um verdadeiro festival de cor.
Amazônia de Flora e Fauna sem igual.
Amazônia da variedade de riquezas minerais
Amazônia das lendas, do folclore e da biodiversidade.
Pulmão do mundo, cobiçada e desrespeitada por oportunistas que querem ganhar com sua destruição.
Amazônia das queimadas, da caça predatória, do contrabando de animais, das derrubadas de árvores que aos poucos transformam o verde da mata.

Amazônia de Chico “O grande mensageiro em defesa da natureza”
Chico que deu sua vida para não deixar que essa riqueza fosse destruída.
Ele que colocou seu nome na história por uma grande causa. “Chico Mendes o Arauto da Natureza”.

“A força de uma luta depende da causa a ser defendida. Chico escolheu a preservação de nossas florestas e por ela entregou sua vida. Fez brotar no coração de todos nós o dever de salvar a natureza.
E enquanto houver pessoas para destruir, mais um seguidor de Chico nascerá para preservar. “Pois Chico vive no coração de quem deseja deixar para o futuro esse manancial de riquezas.”

Ronaldo Abrahão
Diretor de Carnaval

Curicica define enredo

Eu sou o samba, a voz de um povo brasileiro!
Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros

Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz.” (
Zé Kéti)

1º Setor: A voz do morro sou eu mesmo sim senhor.
Eu sou o samba, muito prazer, filho da mãe África e irmão dos escravos, sou hoje um dos maiores embaixadores do Brasil pelo mundo a fora. Minhas raízes são africanas sim, e dizem que nasci de um ritmo religioso chamado “Semba” que quer dizer umbigada, devido à forma como era dançada.
Vim com os negros bantos de navio para o Brasil, desembarquei na Bahia e muitas vezes consegui calar o lamento dos meus irmãos, e eu ainda era uma criança! Mas fui me identificando muito com esse povo brasileiro. Cresci, me transformei em símbolo de identidade nacional, e hoje sou considerado um dos maiores produtos da cultura brasileira.
Dentre as minhas características originais, está aquela onde a dança é acompanhada por pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, e no Recôncavo Baiano sempre fui chamado de “samba de roda”.
Na segunda metade do século XIX, vim para a cidade do Rio de Janeiro trazido pelos negros que migraram da Bahia e se instalaram na então capital do Império, com isso fui me adaptando ao swing e ao carisma do carioca, e acabei me apaixonando por essa cidade tão maravilhosa.
Comecei a me apresentar sob a forma de diversos ritmos e danças populares em todo o país, em cada cidade uma forma, mas foi aqui no Rio de Janeiro que ganhei maior expressão musical urbana.
Mas o que mais importa mesmo é que hoje me sinto o mais brasileiro dos brasileiros, e modéstia a parte, para não gostar de mim, deve ser “ ruim da cabeça ou doente do pé”.

2º Setor – Quero mostrar ao mundo que tenho valor.
É... Mas nem tudo são flores, durante muito tempo o preconceito contra mim era muito grande, e quem insistisse, mesmo que escondido em divulgar a minha arte, corria um sério risco de ir batucar ou sambar atrás das grades. E isso simplesmente por eu ser ligado à cultura negra, que era muito mal vista na época.
Negro, forte, destemido.Foi duramente perseguido,Na esquina, no botequim, no terreiro.

Resisti, e em 1917, Donga me tornou mais popular ainda, fui gravado em disco, que orgulho! Sob o título de “Pelo Telefone”, que na verdade era uma criação coletiva de músicos que participavam das festas da casa de tia Ciata, (baiana que me trouxe na bagagem em sua vinda aqui para o Rio de Janeiro). Partideira reconhecida que cantava com autoridade respondendo aos refrões nas festas que se arrastavam por dias. Tia Ciata cuidava para que a comida estivesse sempre quente e saborosa e que a cantoria nunca parasse.
A partir daquele momento comecei a passear por todo o país, e fui muito bem recebido em todos os lugares onde cheguei. Inicialmente associado ao carnaval e posteriormente adquirindo lugar próprio no mercado musical. Com isso surgiram vários compositores, que me tornaram ainda mais popular e querido por uma grande parte da sociedade.
Comecei a ganhar contornos modernos somente no final da década de 1920, a partir das inovações de um grupo de compositores dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio de Sá e Osvaldo Cruz, e dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos.
Fui conquistando o mundo principalmente na voz da pequena notável “Carmem Miranda”. E a partir dessa época, surgiriam grandes nomes do samba, entre eles Ismael Silva, Cartola, Ari Barroso, Noel Rosa, Ataulfo Alves, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Zé Kéti, Nelson Cavaquinho, entre muitos outros.
A medida que me consolidava como uma expressão urbana e moderna, passei a ser tocado nas rádios, me espalhando pelos morros cariocas e bairros da zona sul do Rio de Janeiro, conquistando até o público de classe média também.
“Inocente, pé-no-chão,A fidalguia do salão,Te abraçou, te envolveu”.
Modéstia a parte, foi através de mim que outras formas musicais ganharam denominações próprias, como o samba de gafieira, o samba-enredo, o samba de breque, o samba-canção, o samba-rock, a bossa nova, o partido alto, o pagode, entre outros.

3º Setor – Sou eu quem levo a alegria para milhões de corações brasileiros.
Nessa longa trajetória é que pude perceber que talvez tenha sido essa minha forma de me expressar, sempre simpático, bem humorado e com uma malandragem peculiar do carioca que me fez ganhar fama por aqui, e indepedente de modismos.
Nas chamadas “Rodas de Samba” é que me sinto muito bem, pois ali ninguém precisa de grandes desprendimentos financeiros, e o único compromisso é se divertir, pois as pessoas cantam e dançam durante horas em torno de uma mesa regada a muita cerveja. Não há estresse que resista!
Sou hoje tão importante que no dia 02 de dezembro comemoram o meu dia. E atualmente duas cidades, Salvador e Rio de Janeiro, me prestam homenagem de forma muito animada.
Sob a batuta do músico Edil Pacheco, Salvador sempre tem promovido grandes shows no pelourinho. Já no Rio de Janeiro a divertidissima festa fica por conta do Pagode do Trem. Idealizada e comandada pelo compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz. Quando sambistas se reúnem lá na Central do Brasil, lotam um trem inteirinho e vão tocando e cantando até o bairro de Oswaldo Cruz, onde lá formam-se várias rodas para me homenagear. Os vagões vão sempre lotados e em cada vagão vai um grupo que agita a cantoria, incluindo grupos com sambistas famosos ou locais.
Graças à paixão de grandes nomes consagrados e também do gosto popular pela “minha pessoa”, é que fui eleito oficialmente “Patrimônio Cultural do Brasil”. Agora sim, sei que agonizei durante um período, mas tenho hoje a certeza de que não morrerei jamais. E isso é mais um grande motivo para comemorarmos!
E como jamais eu poderia ficar de fora, faço parte também de uma das comemorações mais populares e representativas do mundo, “o carnaval”, onde sou a trilha sonora de um delírio que desfila na avenida encantando o público com formas, cores e muita euforia. Momento em que os foliões vestem e desfilam a arte desenvolvida pelos artistas que constroem esta grande festa.
“Meu Deus vem olharVem ver de perto umacidade a cantara evolução da liberdade.”
Hoje para minha grande felicidade me sinto muito orgulhoso por minha história ser contada e cantada na Avenida pela União do Parque Curicica, que de certa forma presta também uma grande homenagem a todas as escolas de samba que há tempos vem ajudando de forma grandiosa a consolidar meu nome no Brasil e no mundo!

Carnavalesco: Amauri Santos

Sossego leva o Rei Sol para a avenida

Sinopse

... E escuridão descia à face do abismo, quando o Deus eterno, que pairava ao semblante do nada determinou: Exista luz! E houve luz. A luz era boa, sagrada e divina; e então separou a luz da escuridão. Fez-se o dia, se fez a noite. Do início celestial a sua majestade, o Rei Sol, acabara de nascer! A partir de então uma corte sideral se fez. Nos confins do Universo, no sistema solar, nasceram as estrelas na expansão dos céus, para iluminar a terra e acompanhar, como guardiãs, o grande rei, nasceram os planetas para compor o clero divino do sistema solar, vieram os transnetunianos, como sacerdotes do paço imperial, as luas como condessas da noite e os asteróides como monarcas. Estava formada a realeza... A nobre corte no espaço negro e obscuro.

O Rei Sol, senhor de horizontes infinitos desceu místico para a Terra e encarnou-se à semelhança do homem como Deus e correu o mundo com diferentes nomes... Condecorado astro Rei, adorado, aclamado, o Senhor respeitado por quase todas as civilizações da antiguidade, cultuado nos quatro cantos do mundo, como o rei da vida. Quando o Sol encarnou na Grécia, Olimpo, morada dos mais belos deuses, se chamou Hélios que vagava nos céus em sua biga de fogo com cavalos sagrados. No império romano, o Sol encarnou como o Deus Febo, filho de Júpiter com Latona. Personificava a luz e era a mais bela divindade de Roma... Nas Cordilheiras dos Andes (montes Andinos), renasceu como Viracocha, divindade invisível, considerado como o esplendor original, o Senhor do Sol, Mestre do Mundo, sendo o primeiro Deus dos antigos Incas. Nas terras negras, nome do antigo Egito, o Sol, assume a divindade da natureza humana em um Deus zoomórfico chamado Rá, o principal ídolo da mitologia egípcia, um ser com cabeça de falcão conhecido como o deus do sol.

Sua majestade, o Sol, soberano e absoluto Rei celestial depois de descer à Terra e encarnar como Deus, se casa com a mãe Natureza e toma para si os ciclos naturais que governam a existência na Terra. Do casamento do Sol com a Natureza nascem quatro irmãos, que se tornam antigos espíritos do mundo. Dois deles se chamam Equinócios e governam o Outono e a Primavera, os outros dois se chamam Solstícios e imperam no inverno e no verão. Juntos determinam a roda do ano no calendário do sol. A vida humana passa então a girar em torno do grande rei que dá de presente para cada um de seus filhos uma Estação e se inicia a eterna dança entre as sementes do Outono e as flores da Primavera, o frio do Inverno e o calor do Verão...

O rei Sol existe há milênios. Nasceu da escuridão celeste, desceu à Terra como Deus, casou-se com a Natureza, concebeu filhos, (as Estações do ano) e hoje, na modernidade, é o grande Rei da alegria e tem adoradores por todo lugar. Na praia Ele é festejado e louvado, os guarda-sóis são templos, e os praieiros os seus seguidores. Nas micaretas e nos lindos blocos de rua do Rio de Janeiro, Ele é cantado e dançado, os abadás são a indumentária sagrada, a coreografia o rito santificado e a música o louvor. Todos saem na rua com a alegria do Sol. Os turistas que correm o mundo em busca do Sol, por fim, ressurgem como peregrinos em uma jornada de devotos em busca da alegria. Seus chapéus, roupas floridas e suas máquinas fotográficas, a exemplo, são ornamentos sacros. Tudo isso para reverenciar o grande Rei; a alegria.

O Sol nasceu para emanar luz aos quatro cantos do mundo e exterminar a escuridão da alma humana. Ele apaixona todo espírito quando desce ao entardecer em poente e renova toda esperança quando volta nascente no horizonte.

Salve o Sol! Sua majestade, o Rei Sol

Designer de Carnaval Fabianno Santana.

Mocidade apresenta enredo 2011

A Cidade do Samba foi o palco para a bela festa de apresentação do enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a avenida em 2011. O autor do enredo e carnavalesco Cid Carvalho (foto) mostrou-se muito animado, exaltou a força da escola e prometeu que verde branco de Padre Miguel a brilhar em 2011.








A festa começou com um belíssimo show da Velha Guarda, que emocionou o publico cantando sambas antológicos como: Apoteose ao samba, Rapsódia da saudade, Festa do divino (seu 1° samba de enredo), Menininha do Gantóis, Descobrimento do Brasil (1° título da escola), Ziriguidum 2001, entre outros.




Sua escola de samba mirim Estrelinha da Mocidade foi uns dos destaques da noite. O casal de Mestre-sala e Porta bandeira, Jefinho e Paloma (foto), arrancou aplausos do publico.







A Estrelinha cantará em 2011, na Sapucaí, o enredo “O grande Circo Místico”, uma reedição do tema que a escola-mãe apresentou na Sapucaí em 2002. Levi Cintra e Ricardo Dias, o “Rick” (foto), ficarão responsáveis pelas criações.








O Presidente da Mocidade Paulo Vianna homenageou o Presidente da LIESA Jorge Castanheira, Chiquinho da Mangueira (secretario) e a Senadora Kátia Abreu, que entusiasmada, disse ser “Pé quente”, e que Mocidade será campeã em 2011.






A atriz Thatiana Pagung foi coroada como rainha de bateria pelo 5º ano consecutivo. Ela recebeu a coroa do presidente da agremiação e a faixa do Mestre de bateria Bereco. A bela e simpatica Thatiana Pagung (foto) mostrou-se apaixonada pela Mocidade, declarando amor eterno à escola. Além de receber carinho da comunidade, foi reverenciada pela sua Bateria nota10 ao som de “Salve a Mocidade”.





A festa encerrou com show da bateria, apresentação do casal de Mestre Sala Fabrício Pires e Porta Bandeira Cristiane Caldas (foto), show das baianas, passistas e destaques, comandados pelos intérpretes Nego e David do Pandeiro. O sorriso da Porta bandeira Cris Caldas foi o resumo de um belo espetáculo da noite.















Sinopse do enredo da Mocidade 2011



“Parábola dos Divinos Semeadores”.

Uma estrela incandescente brilhou no horizonte primitivo e espalhando luz e calor fez a vida explodir em cores e fartura. O homem, enfim, se libertou das cavernas e festejou.

As forças da natureza foram transformadas em deuses e as respostas para o desconhecido eram encontradas pelos feiticeiros primitivos nos raios e trovões, nas águas, nas matas e nos mistérios da terra.

De caçadores coletores até se tornarem semeadores, nossos ancestrais atravessaram um longo caminho, muitas vezes marcado por pedras e espinhos.

À medida que a agricultura e a criação se estabeleceram as plantas das quais dependiam homens e animais para se alimentar tornam-se crucialmente importantes e os ciclos Da natureza passaram a ser fator dominante e foco de atenção mágica e religiosa.

O plantio e a colheita se transformaram nos grandes acontecimentos do ano e eram celebrados com festivais e ritos que pretendiam assegurar um bom resultado.

Foi através desta reverência à natureza que o homem começou a entrar no reino da utopia através das comemorações: no momento da festa se desligava das coisas ruins como o inverno e as enchentes, que concretamente, tinham ido embora e saudava o que lhe parecia um bem, como a chegada da primavera e o nascer do sol, com danças e cânticos, em torno das fogueiras, para espantar os espíritos do mal e as forças negativas que prejudicavam o plantio.

Em uma deliciosa viagem através destas festas, rituais e celebrações em louvor aos deuses da agricultura e que depois foram abraçadas e remodeladas pelo catolicismo, encontramos a origem, a raiz da frondosa árvore que é o carnaval do Rio de Janeiro.

E é no templo sagrado dos desfiles das escolas de samba que vamos relembrar em ritmo de comemoração as nossas origens agrárias e agrícolas, afinal festejar é o que fazemos melhor.

Louvadas sejam os divinos semeadores do carnaval!

Viva a folia!

Parábola dos Divinos Semeadores

A primeira semente: depois do degelo, eis que surge o caminho.

Em um tempo muito distante, grande parte das sagradas terras africanas encontravam-se sob o domínio do frio. Um império branco e gelado que matinha o homem primitivo praticamente prisioneiro das cavernas.

Certa manhã, uma estrela incandescente reluziu intensamente no horizonte; um forte clarão cortou o nevoeiro e espalhou-se pela palidez da paisagem, anunciando um deslumbrante espetáculo de luz e calor. Aos poucos, o branco do gelo e da neve foi sendo matizado pelo verde da vegetação, que surgia vigorosa. Assim, nossos ancestrais saíram da toca e festejaram.

A vida explodiu em cores e fartura. Plantas de todos os tipos, diversas espécies de frutas e animais variados passaram a dominar o cenário renovado. O poder dos raios e trovões, os mistérios das águas e da terra e os segredos das matas passaram a ser reverenciados por guias espirituais escolhidos entre os mais sábios de cada tribo. Nas celebrações, esses feiticeiros cantavam e dançavam enfeitados com folhas e máscaras em torno de fogueiras para afastar os maus espíritos e garantir as boas colheitas.

De festa em festa e de ritual em ritual, o homem evoluiu e descobriu o milagre da vida contido no interior dos grãos e sementes que se manifestavam quando estes alcançavam o solo.

Ao se tornar, então, semeador, o homem criou raiz e se fixou na terra.

A segunda semente: sobre pedras pagãs, ergueram-se templos de adoração.

As cavernas geladas, cada vez mais, faziam parte do passado e os campos, agora cultivados, sinalizavam um mundo em transformação.

Grandiosas civilizações floresceram, templos de pedra e magníficos palácios foram construídos; rituais de sacrifício e cânticos de louvor ecoaram em celebração à fertilidade da terra.

Deuses da agricultura e animais sagrados se juntaram aos deuses dos raios e trovões, das águas, da terra e das matas consolidando um poderoso panteão agrícola que atravessaria as fronteiras do tempo e do espaço nos lombos de camelos e cavalos.

No antigo Egito, tochas e incensos impregnavam de magia os grandiosos banquetes em honra à deusa Ísis, senhora da agricultura, enquanto majestosos cortejos reverenciavam o Boi Ápis.

Na Grécia, alegres festivais de músicas, danças sensuais e farta distribuição de vinho embalavam as festividades em homenagem a Dionísio, deus protetor das parreiras, e eram marcadas por uma deliciosa inversão de papéis: o miserável se vestia de rei e machos reconhecidos se fantasiavam de fêmeas.

Em Roma pagã, as festas da primavera anunciavam as Saturnálias em homenagem ao deus italiano da agricultura e, num momento de grande euforia, Saturno era saudado calorosamente pelo povo. Na ocasião, a cidade com as ruas ricamente decoradas com flores, era governada por um rei escolhido entre os pobres e, do alto de seu "carro naval", Momo, o soberano da alegria, comandava a farra que não tinha hora para acabar.

A terceira semente: a festança é sufocada pelos espinhos de uma nova religião.

Espremida entre as celebrações pagãs, surge em Roma uma nova religião.

Enquanto pregava a fraternidade, o Catolicismo logo tentou sufocar as origens dessas manifestações e, aos poucos, os festejos vão sendo modificados.

Dessa maneira, o dia dedicado às comemorações da Saturnália passou a determinar o nascimento de Jesus em um estábulo cercado por bois, ovelhas e pastores, em uma cena tipicamente agrícola.

O pão e o vinho, símbolos dos rituais e festas pagãs, foram transformados no corpo de ostensório dourado e foi colocado nas cabeças das imagens dos mártires católicos.

Subjugada pelo clero romano, a "ritualística primitiva" foi transformada em uma celebração marcada por banhos de cheiro, fantasias e desfiles alegóricos.

Ao incorporar personagens da Comédia Dell' art, o novo formato acabou por conquistar as cidades de Nice, Roma e Veneza e invadiu os salões da nobreza com seus requintados bailes de máscaras.

Nascia, assim, o "carnevalle", comemorado nos dias que antecediam a Quaresma e que, feito sementes sopradas pelo vento, espalhou-se pelos quatro cantos do mundo.

A quarta semente: “... e nesta boa terra, cresceu e produziu a cento por um".

No Brasil, essas divinas sementes encontraram solo fértil e abençoado. Lançadas aos diversos recantos do nosso torrão, rapidamente germinaram e se multiplicaram, dando frutos com características próprias.

De Norte a Sul desta nação, virou manifestação popular.

O boi que veio de tão longe, lá do Norte, também se tornou sagrado: "é boi Ápis pra lá, é bumba-meu-boi, meu boi-bumbá pra cá".

No Nordeste, a festa do deus Sol se transformou em festa de São João e a comilança não pode faltar: tem milho assado, tem arroz doce, garapa de cana, um bom cafezinho e fogueira acesa "pra" esquentar.

Tem festa da uva nos Pampas e cavalhadas no Cerrado; mas, foi aqui no Rio de Janeiro que a mais beca e formosa das sementes encontrou o seu lugar. Misturando as festas e celebrações que vieram da Europa com a magia que desembarcou com os negros africanos, criamos o nosso próprio ritual. Cantando, dançando e batucando com alegria sem igual, acrescentamos tempero à festança, reinventamos o carnaval.

Hoje, celebramos o nosso passado agrário e agrícola enquanto festejamos o nosso presente como o maior espetáculo Da Terra e, quando esse t al de futuro chegar e a folia for levada "pro" espaço sideral, estará, na verdade, voltando ao início, encontrando-se com o próprio passado e fechando um ciclo.

Afinal, vale lembrar que tudo começou com o brilho incandescente de uma estrela que derreteu a neve e fez a folia começar.

Viva o carnaval!

Cid Carvalho.

Organograma

Setor 1 - As Geleiras

Alegoria 2 - As Forças da Natureza

Setor 2 - A Segunda Semente: sobre pedras pagãs ergueram-se templos de adoração

Alegoria 3 - Egito

Alegoria 4 - Grécia e Roma

Setor 3 - A Terceira Semente: a festança é sufocada pelos espinhos de uma nova religião

Alegoria 5 - Igreja

Alegoria 6 - Baile de Máscaras

Setor 4 - A Quarta Semente: "... e nesta boa terra, cresceu e produziu a cento por um”

Alegoria 7 - Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste

Alegoria 8 - Rio de Janeiro



Ps: Neste domingo dia 30/05 às 16hsna quadra da escola, entrega e explicação da sinopse para os compositores.

Fotos: Anderson Canela -Na cadência da bateria
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Na Cadência da Bateria
O carnaval do povo

Escolas mirins reeditam sambas

Inocentes da Caprichosos - "Xuxa e seu reino encantado no Carnaval da imaginação", de 2004;

Tijuquinha do Borel - O Dono da Terra", de 1999;

Corações Unidos do Ciep - "Domingo", União da Ilha de 1977;

Infantes do Lins - "Chico Mendes, o Arauto da Natureza", de 1991;

Miúda da Cabuçu - "O mundo mágico dos Trapalhões", de 1988;

Estreliha da Mocidade - " O grande circo místico", de 2002;

Mel do Futuro - "Mais vale um jegue que me carregue do que um camelo que derrube... lá no Ceará", Imperatriz de 1995

Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy - Das maravilhas do mar, fez-se o resplendor de uma noite", Portela de 1981;

Herdeiros da Vila - Muito prazer! Isabel de Bragança ou Drumond Rosa da Silva, mas pode me chamar de Vila", 1994;

Mangueira do Amanhã - 'Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu", de 1994;

Império do Futuro - Alô, alô, taí Carmem Miranda", de 1972;

Golfinhos da Guanabara - Sertões - Em Cima da Hora de 1976;

Nova Geração do Estácio de Sá - Paulicéia Desvairada, 70 anos de modernismo no Brasil", de 1992.


Foto: Divulgação

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Na Cadência da Bateria
O carnaval do povo

Sossego leva o Sol para a avenida

A formação do império celestial do Rei Sol, sua vinda para a Terra, encarnado como divindade de povos da antiguidade, sua soberania sobre os equinócios e solstícios nas estações do ano e como ele ainda é cultuado à nossa moda nos dias atuais, serão alguns dos aspectos que o enredo da Sossego abordará na avenida Marquês de Sapucaí em 2011. Segundo o autor do enredo, o designer de carnaval Fabianno Santana, será um tema envolto a encantos, magias e lendas em torno do Sol, com uma história diferente sobre a mais importante estrela do nosso sistema solar. “O enredo traz uma temática vivaz e intensa, oferecendo a oportunidade de um samba-enredo contagiante e quente. Esperamos montar na avenida uma teatralização alegre e muito agradável aos foliões, com tudo o que povo gosta de ver: Luxo, colorido, criativo e empolgante”, complementa Fabianno.

A Azul e Branco de Niterói, que vai desfilar na terça-feira gorda pelo grupo RJ1, antigo grupo B, realiza o ato simbólico de lançamento do enredo, com toda sua diretoria, no dia 29 de maio quando haverá o encontro do recém contratado mestre Dinho com sua bateria. O evento começa às 14h no Clube dos Pioneiros, bairro Vital Brasil, em Niterói.


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Na Cadência da Bateria
O carnaval do povo
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